Toponimia - detalhe
Praça do Município
- Freguesia(s): Santa Maria Maior
- Início do Arruamento: Confluência da Rua do Arsenal, Rua do Comércio e Largo de São Julião
- Data de Deliberação Camarária: 20/03/1886
- Data do Edital: 24/03/1886
- Designação(ões) Anterior(es): Largo do Pelourinho.
Aquela que hoje se designa Praça do Município já foi o Largo do Pelourinho mas, em qualquer dos casos, o seu nome é um símbolo do poder municipal.
Este arruamento aparece já nas descrições paroquiais anteriores ao terramoto de 1755, na freguesia de Santa Madalena, como Largo do Pelourinho e, assim se mantém no Atlas de Filipe Folque de 1856, assim como no levantamento topográfico de Francisco e César Goullard de 1879, bem como numa informação municipal de 4 de Abril de 1883 que referia os inconvenientes resultantes do facto da população masculina continuar a servir-se do recanto do Largo do Pelourinho da mesma maneira que quando lá estava o urinol de guarita.
O pelourinho que deu o nome ao arruamento data do último quartel do séc. XVIII e, segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo «Pelourinho era um símbolo da autonomia municipal; onde ele estava – estava o Senado ou suas casas. Tinha uma significação de justiça aplicada nas execuções, mas só queremos vê-lo apenas na sua representação de autoridade municipalista e não na sua expressão fatídica.»
Em 1886, por edital camarário de 24 de março, o Largo do Pelourinho passou a Praça do Município, marcando a localização dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa. Ainda segundo Norberto de Araújo «Entre 1770 e 1774 construiu-se nesta Praça, que a reedificação da Cidade tornou possível, um edifício para a Câmara Municipal, que se estendia até à Rua do Ouro e Terreiro do Paço. A Câmara ocupava apenas uma parte do “seu” Palácio – pois para a câmara fora destinado, havendo-se instalado no edifício a Junta do Crédito Público, o Banco de Lisboa (1822), convertido em Banco de Portugal em 1846, a Administração do Contrato do Tabaco, a Companhia das Lezírias, a Companhia Fidelidade, etc. Também parte do edifício (de 1795 a 1807) serviu de habitação a D. Maria I, e à família real, após o incêndio do Paço (Velho) da Ajuda. Na noite de 19 para 20 de Novembro de 1863 rebentou um terrível incêndio, que durou oito dias – dos maiores que Lisboa tem visto – e reduziu tudo a cinzas. Passavam cento e oito anos menos vinte dias sobre o Terramoto. Logo o Senado da Câmara pensou em reedificar a sua Casa, mas desta vez independente do Terreiro do Paço. O arquitecto Domingos Parente da Silva foi encarregado do risco, e as obras começaram em 29 de Outubro de 1866, só se concluindo em 1875. Alterado várias vezes no plano inicial, o edifício da Câmara de Lisboa é este que aqui se ostenta na Praça do Município».
[PM]
FONTES E BIBLIOGRAFIA:
. Editais municipais
. Documentação municipal do acervo online do Arquivo Municipal de Lisboa
. ARAÚJO, Norberto de (1939), «Peregrinações em Lisboa», 2ª edição, Lisboa : 1992 - 1993
. SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo, Dir. (1994) «Dicionário da História de Lisboa», Sacavém : Carlos Quintas & Associados- Consultores, Lda., 1994